Falta de árvores nas margens

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(20.10.2016) – Um leitor nos encaminhou pelo site a sua preocupação com a turbidez da água, bem como a falta de árvores às margens do Rio Piracanjuba. As fotos foram tiradas na divisa do município de Silvânia com Orizona.

A importância das Matas Ciliares

O que é uma mata ciliar

É um tipo de cobertura vegetal nativa, que fica às margens de rios, igarapés, lagos, nascentes e represas. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem muito importantes para a proteção de rios e lagos tal como são os cílios para nossos olhos. As matas ciliares também são conhecidas como mata de galeria, vegetação ribeirinha ou vegetação ripária.

As matas ciliares são fundamentais para o equilíbrio ecológico, oferecendo proteção para as águas e o solo, reduzindo o assoreamento e a força da águas que chegam a rios, lagos e represas, mantendo a qualidade da água e impedindo a entrada de poluentes para o meio aquático. Formam, além disso, corredores que contribuem para a conservação da biodiversidade; fornecem alimento e abrigo para a fauna; constituem barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças da agricultura; e, durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que afetam o planeta.

Em Regiões com problemas de desequilíbrio ecológico a mata ciliar não é capaz sozinha de impedir a erosão das margens, ela apenas ajuda. Rios em processo de assoreamento tendem a sair de seu leito com mais facilidade durante as chuvas, provocando inundação e solapamento das margens. As árvores não resistem às constantes agressões sofridas e terminam por serem levadas pela força das águas e a falta de superfície de sustentação.

Matas ciliares são consideradas áreas de proteção permanente. Uma área de proteção permanente segundo o código florestal é:

Área protegida nos termos dos arts. 2o. e 3o. desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.

O código florestal brasileiro determina uma distância mínima que deve-se manter da mata ciliar nas margens de um rio. Sendo:

1 – de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;

2 – de 50 (cinquenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;

3 – de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;

4 – de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;

5 – de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;

Ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais;

Nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura;

Muitos fazendeiros, no intuito de facilitarem a chegada do gado até a beira do rio ou lago, retiram a vegetação em sua totalidade, além da ausência de proteção para o solo, o pisoteamento do gado facilita o processo erosivo e por consequência a entrada de sedimentos para as águas.

É bem interessante conhecer bem de perto o tipo de vegetação que fica próximo às margens dos rios, as árvores parecem formar camadas de proteção, como numa exército que fica organizado de forma a enfrentar uma batalha, cada qual com sua função. Quanto mais próximas as árvores ficam das águas, mais suas raízes são mais superficiais e em maior quantidade. Em alguns casos temos uma vegetação espinhosa e com muitos ramos, formando um entranhado como num tricô. Quanto mais se afasta da margem do rio, mais a vegetação vai se tornando um pouco diferente, com raízes mais profundas e com árvores maiores, como se a função fosse frear as águas que descem dos pontos mais altos.

Fonte: Guia Ecológico